Aprendizagem e emoção

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

Nenhum ser humano que pretenda ensinar algo a outro – pai, mãe, professor, tutor, instrutor em empresa, desconhece que apenas em clima de segurança afetiva o cérebro humano funciona perfeitamente, somente desta forma as emoções abrem caminho para o conhecimento, para a cognição.

Se for gerado um clima de ameaça, humilhação, opressão, vexame ou desvalorização, o sistema límbico existente no cérebro bloqueia o funcionamento das funções cognitivas de entrada de dados, de elaboração de planos, execução de atividades que permitem acesso às aprendizagens e resolução de problemas complexos.

Frente às ameaças, pessoas de qualquer faixa etária reagem inconscientemente, com baixa capacidade racional, pois as emoções fazem parte da evolução da espécie humana, e atuam mais fortemente durante a fase de desenvolvimento das crianças e adolescentes, seu controle constitui o fundamento do aprendizado que se dá ao longo da vida.

Emoções não podem predominar sempre sobre raciocínio lógico, caso contrário seríamos desorganizados, impulsivos, eternamente deprimidos ou eufóricos; regulação das respostas emocionais é também aprendizado, no entanto atuação lógica durante todo o tempo também significaria falta de bom processo cognitivo. O humor influencia o comportamento, e a própria capacidade de responder aos estímulos positivos ou negativos para promover uma resposta adaptativa às demandas do dia a dia.

Crianças e jovens sujeitos a muitos fatores emocionais de insegurança, ou mesmo medo, podem vir a sofrer desmotivação, ansiedade, depressão, e apresentar baixa produtividade no ambiente escolar ou do trabalho onde seu desempenho seria fundamental.

A dinâmica interpessoal no ambiente escolar ou laboral, o envolvimento social e objetivo, tem impacto na possibilidade de sobrevivência em situações de perigo, na adaptabilidade aos novos ambientes, tanto na dimensão consciente quanto inconsciente.

Emoções mobilizam a capacidade de operar memórias de curto prazo e de trabalho e a criar as memórias de longo prazo, as associações entre prêmios ou castigos, gerando competências e habilidades, autoestima ou desvalorização profunda do indivíduo.

Situações desafiantes para a aprendizagem não devem gerar sentimentos de medo, ameaça, desconforto ou receio, para não bloquear a tomada de decisão de forma livre e que utiliza todos os recursos intelectuais possíveis.

Todo ser humano tem tendência a apresentar atração ou curiosidade por algumas pessoas, preferem algumas tarefas ou eventos, enfrentam melhor alguns desafios, e por outro lado desejam fugir de imediato ou entrar em confronto com determinadas pessoas ou situações.

Segurança, conforto e cuidado distinguem cognição social e facilidade de comunicação. O cérebro maduro assume riscos, não tem um medo irracional de cometer erros – pois aprendeu que esses foram frequentes durante a fase de aprendizagem – e reage melhor às dificuldades iniciais de todas as tarefas ou problemas propostos.

Praticamente todas as espécies ensinam suas crias, cães, gatos, macacos, golfinhos e muitos outros animais precisam transmitir às novas gerações algumas noções básicas de sobrevivência e conforto. Entretanto, e ainda não entendemos exatamente a razão, a espécie humana parece ser a única que ensina intencionalmente, ou seja, bem mais que a sobrevivência para detectar comida, possíveis parceiros e fugir do perigo.

Mas sabemos que isso só é possível com cognição social e uma inteligência emo­cional burilada através dos séculos, em que razão e emoção interferiram conjuntamente. Rejeitar as emoções causa sofrimento a nós mesmos e aos demais, é inumano tentar utilizar apenas a razão para justificar ou entender nossos atos e decisões. Ao mesmo tempo, quando atribuímos somente às emoções a razão de ser de nossas ações, recusamos que a inteligência tenha sido fundamental para o desenvolvimento humano, para todos os avanços obtidos ao longo da história.

Nenhum comportamento é puramente cognitivo, sem sua carga de afeto, nem apenas afetivo sem qualquer consideração racional, ambos são essenciais para a compreensão do que denominamos aprendizagem.

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