REFLEXÕES SOBRE A ARTE E O FEMININO NO QUADRO DE GEORGINA DE ALBUQUERQUE SOBRE A SESSÃO DO CONSELHO DE ESTADO

**Profa. Dra. Adriana Ferreira Serafim de Oliveira

A reflexão sobre a arte e o feminino é importante no contexto atual, tanto como reconhecimento do trabalho, como do gênero e da produção de arte. A pintura da artista Georgina de Albuquerque, autora do quadro “Sessão do Conselho de Estado” (1922); na atualidade, pertencente ao acervo do Museu Histórico Nacional (MHN) do Rio de Janeiro, difere do historicismo dos currículos escolares e mereceu nossa atenção.

A obra desta artista demonstra ao público uma pintura de um fato histórico, sem conflitos e heróis militares, chamando a atenção para a centralidade da figura feminina, invisibilizada nos relatos da História do Brasil, divergente dos fatos sedimentados no inconsciente coletivo sobre a Independência.

Quadro Sessão do Conselho de Estado, de Georgina de Albuquerque, 1922. 236,00×293,00cm. Fonte: https://exporvisoes.com/2021/09/10/independencia-no-feminino-com-georgina-de-albuquerque-e-d-leopoldina/. Acesso em 19/04/2023.

A figura retrata nosso objeto de questionamento. O estímulo à produção de imagens sobre o centenário da Independência do Brasil foi dado em forma de um edital, lançado em 1921. Esse edital estabeleceu os critérios do que deveria ser apresentado e a informação de que quatro dessas obras seriam adquiridas pelo Estado. 

O quadro de Georgina de Albuquerque foi pintado segundo as     prerrogativas do edital e integrou a Exposição de Arte ‘Retrospectiva e Arte Contemporânea’, uma das atrações da Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência, realizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, em 1922 (MAGALHÃES, 2021, s./p.).

A obra de Georgina de Albuquerque foi comprada pelo Estado para as coleções do Museu Nacional de Belas Artes, sendo depois transferida para o Museu Histórico Nacional. Então, como houve o apagamento do trabalho de uma pintora que retrata uma mulher como uma das protagonistas da Independência do Brasil?

Fotografia de Georgina Albuquerque (1885-1962). Fonte: https://www.camarataubate.sp.gov.br/paginas/portal/paginaInterna?id=6. Acesso em 19/04/2023.

Essa reflexão é necessária porque podemos observar que na atualidade as mulheres continuam passando por essa invisibilidade, inclusive na academia, onde o pensamento feminino não está totalmente expresso nas obras doutrinárias, metodológicas e pedagógicas, sendo que em sua maioria, os autores referenciados são homens, assim como foi dado maior destaque para as obras de arte de cunho masculino.

Observar e refletir para o debate quanto ao apagamento e invisibilidade das produções femininas irá refletir posteriormente em produções de outras populações que sofrem preconceito estrutural, pois a sociedade ainda calca suas bases no patriarcalismo. As temáticas estão conectadas e a expansão do debate é proveitosa para quaisquer comunidades que sofrem racismo, separatismo e apagamento.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

MAGALHÃES, Aline Montenegro. Independência no feminino com Georgina de Albuquerque e d. Leopoldina. Expovisões: miradas afetivas sobre museus, patrimônios e afins, 2021. Disponível em: https://exporvisoes.com/2021/09/10/independencia-no-feminino-com-georgina-de-albuquerque-e-d-leopoldina/. Acesso em 19/04/2023.

**Profa. Dra. Adriana Ferreira Serafim de Oliveira.
Pós-doutoranda em Direito e Arte na FND-UFRJ. Pós-doutorado em Direito Político e  Econômico na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutorado em Educação pela UNESP  com estágio doutoral na Universidad Complutense de Madrid, Mestrado e Graduação em Direito,  Especialização em Política e Relações Internacionais, Graduação em Letras. Professora conteudista, pesquisadora e tutora no PPGDE em Educação em Direitos Humanos na UFABC.
Contato: adrianafsoliveira@gmail.com

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