Esquecimento e personalidade
Um livro de quase memórias de Gabriel García Márquez chama-se “Vivir para contarla”, título traduzido para “Viver para contar”; no espanhol original a ideia tem maior densidade, refere-se a contar a vida que se viveu, e não à busca de vivencias para contar. Nada disso obscurece a genialidade de “Gabo”, mas à parte o que nos é lembrado é algo que as pessoas parecem praticar todo o tempo: viver para uma plateia imaginária que teria interesse em tudo o que se faz e diz, uma roupa nova, um prato caro em restaurante idem, viagens de férias, novos e velhos relacionamentos, reuniões de trabalho, opiniões políticas e outras. A dolorosa verdade é que apenas os muito próximos têm um relativo interesse no que os demais vivem e falam, a menos que se trate de “celebridades” ou que se protagonize um vexame colossal que será o divertimento passageiro do público.… Leia mais Esquecimento e personalidade

