Martine Joly em sua obra Introdução à Análise da Imagem (meu livro é da 13ª edição), escrevendo sobre a noção de imagem: usos e significações, afirma que: “Compreendemos que (apesar da diversidade de significações da palavra) indica algo que, embora nem sempre remeta ao visível, toma alguns traços emprestados do visual e, de qualquer modo, depende da produção de um sujeito: imaginária ou concreta, a imagem passa por alguém que a produz ou reconhece. (2009, p 13) O fotografo constroi a imagem do desejo do seu olhar, sendo possível observar que aquele instante apresenta-se como fragmento de um tempo/momento de vida, que dificilmente ocorrerá de novo da mesma maneira, registrando uma escolha que reflete o filtro da cultura social de uma época.
A vida nos oferece imagens dinâmicas, que se transformam no tempo e no movimento, na posição da luz de quem observa e mesmo na sua ausência; são múltiplos caminhos do olhar/ver/no que me é oferecido/ ou no que não percebemos quando nossos sentidos desfocados pelos movimentos rápidos de um dia faz-nos viver sob o signo da cegueira. Algumas imagens podem jazer insensíveis diante da visão de muitos, mas existem obras que são poéticas,… arte, podem ser reconhecidas, e encontrar espaço na memória do espectador e emocionar.

Fotografia 1: “Fui caminhar e o destino me presenteou com esse encontro. Ele passava tranquilo, com o andar de quem conhece bem o caminho, e eu, através das minhas lentes, pude registrar essa graça. Cansado mas sereno, refletido na água como quem se reconhece no mundo. Mais que uma fotografia: um vislumbre de vida, livre e autêntica, que encontrei no meu caminho.”

Fotografia 2: “Nadando contra a corrente ou seguindo o fluxo, o importante é nunca parar de mover-se.”

Fotografia 3: “Fui dar uma volta, apenas caminhar sem pressa, e ali, bem diante dos meus olhos, vislumbrei algo maravilhoso. Um instante de luz sobre a água, onde a vida se revela simples e perfeita. Através das minhas lentes, capturei não apenas uma imagem, mas a magia que surge quando a gente para e enxerga com o coração. Dois reflexos, um momento, uma beleza que só existe agora. “
“Por onde quer que nos voltemos, há a imagem… (associando) o termo a noções complexas e contraditórias, que vão da sabedoria à diversão, da imobilidade ao movimento, da religião (criados a imagem e semelhança de Deus) à distração, da ilustração à semelhança, da linguagem à sombra.” (Joly. 2009, p 17)
Neste sentido, a fotografia na contemporaneidade onde as realidades são analisadas e mesmo conhecidas através das informações contidas nas imagens, assume um papel social de referente, do que representa para os olhos de quem vê, mesmo que o olhar primeiro e único, o desejo de registrar, perpetuar um movimento ou objetos, tenha sido do fotógrafo. A fotografia de um cão passeando a beira de um lago terá sempre seu referente na imagem, mas a motivação para o registro fotográfico, ou a contextualização em que será usada, avança a sensibilidade e desejo do fotógrafo chegando até aqueles que a contemplem.

Fotografia 4: IGREJA MATRIZ DE SÃO SEBASTIÃO em Três Rios/RJ “Orgulhosa de como consegui traduzir a grandiosidade desta arquitetura sacra através das linhas e da perspectiva. O jogo de luz e sombras neste clique revelou texturas únicas, transformando a geometria sagrada em uma composição capturada sob a minha ótica mais precisa.”

Fotografia 5: IGREJA NOSSA SENHORA DA CANDELÁRIA no Rio de Janeiro/RJ. “”Por fora, a grandiosidade de uma cúpula que desenha o céu do Rio de Janeiro. Por dentro, o silêncio sagrado emoldurado por mármores e ouro. A Candelária é daquelas paradas obrigatórias no Centro que nos fazem olhar para cima e desacelerar o passo. “

Fotografia 6: “”A fotografia me permite construir caminhos onde a luz e a terra se encontram. Capturar a imensidão do entardecer sobre a ponte do Lago de Javari (Miguel Pereira/RJ) não é apenas registrar um momento; é desenhar com a luz de Deus a poesia de um fim de domingo. O olhar técnico eterniza o que a alma sente.”
O que você vê na fotografia e o que você faz com a imagem?
Barthes escreve: “Essa fatalidade (não há foto sem alguma coisa ou alguém) leva a Fotografia para a imensa desordem dos objetos – de todos os objetos do mundo: por que escolher (fotografar) tal objeto, tal instante, em vez de tal outro?” (p 16)
Quando um trabalho fotográfico avança a arte de capturar imagens e se apresenta acompanhado das expressões de uma escrita que demonstra a sensibilidade do fotógrafo, esta “desordem” se “organiza”, pois o que nos é revelado se fez pelos nossos sentidos e pelas experiências da vida de olhos que vêem e registram a imagem.
E é desta forma que a fotógrafa Verônica Marçal (Olhos de Vê no instagran), profissional de Miguel Pereira, cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, percorre, neste momento de sua vida/arte, por um caminho onde imagens desvelam possibilidades de contemplação de “movimentos” e paisagens. Empregando uma Canon 80D em seu estúdio ou no espaço externo, utiliza das Fotografias em RAW que posteriormente são editadas manualmente para JPG para que o cliente tenha acesso a imagem trabalhada individualmente. Todas as fotografias neste artigo são deste ano de 2026.

Fotografia 7: “”Onde o céu de Miguel Pereira/RJ se veste de ouro e a engenharia humana cruza as águas do Lago de Javari. Um fim de domingo abençoado, em que o sol se despede em moldura perfeita. Fotografia é a arte de traduzir a criação divina em um fragmento da e para eternidade.”

Fotografia 8: “O fogo não só cozinha… ele dá alma. A arte de fazer pizza no forno a lenha é isso: respeitar o tempo, dançar com as chamas e deixar o fogo escrever a história. Sabor que nasce no brilho, na tradição, localizado no coração da cidade.”

Fotografia 9: Fotógrafa Verônica Marçal – conheça seu trabalho no instagram @olhos de vê.
Verônica afirma que para ela a “”Fotografia Artística” é um portal para o enigmático: o momento exato em que o pulsar silencioso da Terra ganha vida. Onde as flores guardam segredos ancestrais, o bater de asas dos pássaros desperta a energia oculta da natureza, transformando o efêmero em poesia visual.” E neste espaço ofereço aos leitores a oportunidade de conhecer a arte fotográfica dos “Olhos de Vê.”
Referências:
BARTHES, Roland. A Câmara Clara. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro/RJ, 12ª impressão.
JOLY, Martine. Introdução à análise da Imagem. Papirus Editora, Campinas/SP.2009.
SONTAG, Susan. Sobre fotografia. Companhia das Letras, São Paulo/SP, 17ª Edição, 2004.
