Tempo e Narrativa: Reflexões

Ana Cristina Zecchinelli Alves 1

Carlos Maurício Rodrigues dos Santos 2

Resumo

Este trabalho tem por objetivo o levantamento bibliográfico sobre os temas: tempo, temporalidades, narrativa e história-narrativa, no que tange ao debate desenvolvido por pensadores de diferentes áreas acadêmicas entre elas a filosofia, a linguística, e a História. Busca-se acompanhar os diferentes entendimentos e sentidos que o tempo e a narrativa-histórica receberam no período entre a constituição da História como disciplina acadêmica e sua metodologia que inicialmente buscava aproximação com as Ciências Naturais passando pela consolidação da disciplina ao longo do séc. XX, seus debates internos e sua crise, até chegar ao momento atual.

Abstract

The objective of this work is a bibliographical survey on the themes: time, temporalities, narrative and narrative-history, with regard to the debate developed by thinkers in academic areas, including philosophy, linguistics, and history. It seeks to follow the different understandings and meanings that time and the historical narrative reached in the period between the constitution of History as an academic discipline and its methodology that initially sought approximation with the Natural Sciences, passing  through the consolidation of the discipline throughout the 20th century. XX, its internal debates and its crisis, until reaching the present moment.

Palavras-chave: tempo; temporalidades; narrativa; história-narrativa e narrativa Histórica

Antelóquio

Este Artigo foi escrito como trabalho final da disciplina Teoria da História no 1º semestre de 2023, oferecida pelo Programa de Pós-graduação em Ensino de História, ProfHistória, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ministrado pela Professora Carmen Teresa Gabriel.

“Não tempo, não zombarás de minhas mudanças”

William Shakespeare.

Introdução

O presente trabalho pretende dissertar sobre a temática das temporalidades em geral e sobre a maneira como um texto de História organiza, na unidade de uma narrativa, a pluralidade de uma experiência de tempo. Para tanto, a ênfase é colocada sobre a tarefa de conceituação na historiografia, especialmente na utilização do conceito de experiência histórica como articulador do tempo da ação humana e como organizador da narrativa historiográfica. Um diálogo é estabelecido entre os trabalhos de Paul Ricoeur, e sua compreensão da narrativa historiográfica, e de Reinhardt Koselleck com sua concepção plural de tempo histórico e sua História Conceitual. Além disso temos François Hartog com os conceitos de presentismo e de Regimes de historicidades, este artigo procura delimitar precisamente um possível estudo e diálogo dentro do paradigma da teoria da História, pensando a História a partir de conceitos que traduzem a experiência humana ao longo do tempo. Uma análise tomando o texto como paradigma e a hermenêutica do discurso como modelo analítico.

Sobre a questão da narrativa histórica, levanta-se o fluxo de pensamentos e os debates sobre a história-narrativa desde sua inicial consagração como forma de escrever a História enquanto disciplina acadêmica no séc. XIX, demonstrando os altos e baixos sofridos pela história-narrativa desde os positivistas, passando pelos Annales, período de “proscrição” da mesma, até o período atual, quando outro entendimento paira sobre a questão da narrativa e da História. Diversos autores foram pesquisados, entre eles, Hartog e Ricouer já citados acima, acrescidos de contribuições dos pensadores como Roland Barthes, Carmen Teresa Gabriel, François Dosse, Hayden White, Lawrence Stone, entre outros.

Trabalhou-se a questão do tempo em suas diversas tipologias, os debates realizados por pensadores de diversas áreas do conhecimento sobre as questões do tempo histórico e da narrativa histórica. Colocou-se em diálogo autores como Fernando Braudel que inovou a forma de pensar o tempo histórico; Reinhart Koselleck e suas categorias “campo de experiência” e “horizontes de expectativas” ; François Hartog com sua visão sobre o presentismo e a importância do “como” para construção da narrativa histórica inteligível e palatável para o leigo. Em Paul Ricouer encontramos reflexões a relação entre tempo e narrativa histórica. Ao longo do percurso recorremos a outros pensadores como Heidegger, Henry Bergson, Lawrence Stone, Hayden, entre outros.

Desenvolvimento

O tempo é um conceito que não tem uma definição precisa do ponto de vista da Física.

Quando se fala de tempo histórico, falamos em Tempos históricos, tempos no plural, pois existem outras leituras possíveis sobre o tempo.

É possível apontar quatro vias ou caminhos para pensar o tempo. O primeiro é que o tempo é um objeto de investigação da Filosofia desde a Antiguidade, o tempo é um problema de ordem filosófica. Outro caminho seria pensar o tempo como uma relação, um resultado de uma agência humana, uma construção  humana em meio a relações intersubjetivas em meio a sociabilidade. O terceiro caminho é pensar o tempo como algo cuja percepção se dá por um contato exterior, a partir de uma exterioridade, ou também um tempo subjetivo, um tempo interior da própria consciência individual. Por fim, um tempo histórico que é um tempo construído pelos historiadores, um tempo produzido, fabricado pelos historiadores. Com relação ao tempo histórico, temos duas contribuições muito importantes para pensar o tempo no plural, tanto Einstein quanto Henri Bergson evidenciaram que o tempo é ao mesmo tempo relativo e também uma simultaneidade, ou seja, vários processos, eventos e percepções diferenciadas ocorrem nos diferentes povos e civilizações que experimentam uma mesma época, uma  existência simultânea. Podem ter vivido cômputos do tempo distintos, experiências

históricas multifacetadas. Os historiadores entendem estas complexidades das experiências temporais  humanas, e ao invés de falar em tempo singular, preferem falar em tempo no plural, para sobretudo capturar esta diversidade, para capturar esta heterogeneidade de experiências temporais.

A tese de Fernand Braudel (1949-O Mediterrâneo), e a problemática do tempo histórico que ele coloca no prefácio desta obra e que aprofunda em textos posteriores são consideradas pelos historiadores como fundadoras de uma nova arquitetura do tempo histórico. Braudel é o grande nome da segunda geração dos Annales, suas reflexões sobre a tripartição do tempo, de um tempo plural, segmentado vieram de um diálogo com a Antropologia. Ele criou uma interpretação muito particular e potente do que é tempo Histórico, não podemos falar de um tempo único, há sim, ritmos diferentes do tempo e experiências diferenciadas que permitem a compreensão dos fenômenos históricos, analisar isto é compreender como a História se realiza. Divide a temporalidade em três instâncias ideias de curta, média e longa duração. Exerceu influência em outros historiadores ao longo dos anos 1950-1960 do séc. XX. A temporalidade da longa duração, ligada a seus aspectos estruturais, a da média duração, ligada a seus aspectos conjunturais e a de curta duração, ligada ao tempo individual, ao tempo presente, dos acontecimentos.

Ao longo de três décadas, manifestaram reservas quanto a abordagem que, ao mesmo tempo que entrelaça acontecimento, conjuntura e estrutura, procura sobretudo evidenciar a última. Braudel recebeu crítica dos historiadores marxistas, afirmando estes que, ao insistir demais no que dura, corre-se o risco de entrar no impasse sobre o que é ruptura.

É hoje aceito entre os Historiadores que a abordagem do historiador é um vaivém entre o presente (o tempo em que ele escreve e pesquisa) e o passado (o período que é seu objeto de estudo). A ideia dessa “mistura” entre objeto-passado e sujeito-presente que é a abordagem do historiador vem ganhando espaço. Foi retomada e aprofundada, no final do século XX, por autores como Paul Ricouer (1983-1985-2000) e Jean Cheneaux, este falando sobre “a tensão severa, permanente criativa” a que está submetido o historiador. É enriquecido pela reflexão realizada sobre as interações entre a pesquisa histórica e os regimes de historicidade. Esta última expressão pode ser entendida como a relação que uma sociedade mantém com o passado e o futuro ou, como diz Reinhart Koselleck (1990), com seu “campo de experiência” e seu “horizonte de expectativa. Koselleck , se baseia fundamentalmente na Filosofia de Heidegger, este em seu livro “ O Ser e o Tempo” e faz a distinção entre a Temporalidade e a Historicidade. A Historicidade seria uma elaboração que os indivíduos fazem da temporalidade. O Dasein (O ser), está imerso, preso a temporalidade. Koselleck se utiliza destas reflexões para destacar a importância da Historicidade, para ele o tempo não é só algo que possa ser compreendido de uma forma naturalizada. Ele utiliza a tradição historicista alemã. Em Heidegger, compreender a temporalidade a partir da experiência humana, da consciência histórica e da tradução disto em significados, portanto, isto nos levaria a chamada História Conceitual de Koselleck.

Ao invés de usar o conceito de razão, ele vai usar o conceito de consciência. Karl Marx, Heidegger e Koselleck fazem isto. Há uma diferença, pois para Koselleck, o tempo é histórico, para Heidegger, o tempo não tem nada de Histórico, distingue temporalidade de historicidade. Esta humanização do tempo e da História vai ser um capítulo importante na obra de Koselleck, no seu processo de criar as famosas categorias metahistóricas de espaço de experiência e de horizontes de expectativas, marcados por experiências temporais de semantização. São estas duas categorias que são definidoras, constituidoras dessa leitura que a consciência histórica dessa apreensão, que o pensamento, a razão tem sua existência e a do mundo. Em “Estratos da História”, é dito que todas as Histórias foram constituídas pelas experiências vividas e pelas expectativas das pessoas que atuam ou sofrem. Com isso, porém, ainda nada dissemos sobre uma História concreta – passada, presente, ou futura (Koselleck,2006 p. 306), entende-se, portanto, que ambos são conceitos intrínsecos e relacionados, não se pode pensar apenas a experiência isolada de uma expectativa futura e vice-versa, elas se complementam para nos encaminhar ao  movimento e a historização do próprio tempo, em suma, é a própria tensão entre as duas ideias que gera e promove movimento ao tempo histórico, logo compreende-se que : 

experiência e expectativa são duas categorias adequadas para nos ocuparmos com o tempo histórico, pois elas entrelaçam passado e futuro. São adequadas também para se tentar descobrir o tempo histórico, pois enriquecidas em seu conteúdo, elas dirigem as ações concretas no movimento social e político (KOSELLECK , 2006, p. 308).

Para Koselleck, em seu livro “Futuro passado – uma contribuição a  semântica”, a História Conceitual é ao mesmo tempo uma teoria e um método porque no roll dos estudos historicistas ela permite pensar a História a partir de conceitos que traduzem a experiência humana ao longo do tempo. O autor entende que o tempo tem História própria, ele faz distinção entre a modernidade e a antiguidade. Eu vejo aqui a origem de passado, presente e futuro em Hartog, que elucidaremos mais adiante. Para Koselleck , na modernidade o futuro se separa, se afasta do presente e do passado, e é esse afastamento do futuro que mostra, revela , o desejo de rompimento com as tradições, das experiências do passado, abrindo o futuro para novas experiências, para crítica e para a revisão talvez das experiências do passado. Diferentes experiências que as sociedades e os indivíduos tem com o tempo.

Já François Hartog trabalha com o conceito de regimes de historicidades, que é uma ideia de que em algumas épocas nós fomos passadistas, em outras futuristas e que nesse momento estamos vivendo um presentismo, somos presentistas. Para Hartog um regime de historicidade seria uma ordem do tempo, uma ordenação, uma compreensão do tempo. Traduz relações não só das pessoas com suas épocas, mas sobretudo dos historiadores com suas próprias temporalidades. Seriam modos de articulação do passado, do presente  e do futuro, no sentido de tentar tornar inteligível a temporalidade, as experiências temporais. Para chegar a isso é óbvio que Hartog dialogou muito com Reinhart Koselleck, mas também com a Antropologia através de Marshall Sahlins, o regime seria um modo de conhecer, e um modo de representar a temporalidade e, portanto, a própria História. Seriam formas pelas quais a sociedade se relaciona com a temporalidade, compreendendo essas relações entre passado, presente e futuro. Hartog afirma serem as sociedades da  antiguidade mais passadistas, já as sociedades da modernidade são mais futuristas e que  nossa época é mais presentista, isto por conta do modo como se pensa e se representa a temporalidade. Em entrevista a Hector Pavon, repórter do Clarin de Buenos Aires (2019), Hartog afirma: que foi o crescimento da categoria do PRESENTE, como tivesse se tornado a categoria dominante, e no fundo a única. Por isso, propus chamar este momento de “presentismo”, passamos do futurismo ao presentismo. O horizonte se limita ao presente. O presente foi revalorizado. O presentismo não explica a História. O presentismo é um diagnóstico do momento contemporâneo . Não explica. Busca definir a singularidade deste momento e podemos defini-la fazendo uma distinção com os tempos precedentes, quando o futuro era o horizonte. O que acontece quando o futuro não é mais o horizonte , quando se limita ao presente , e que consequências tem sobre os estilos de vida , mas também sobre a economia , a História…[?] , como podemos escrever História em um mundo presentista[?]. Que conceito de História poderia dar conta desta situação presente, contemporânea[?]. Há várias respostas possíveis a essa pergunta. Como Hartog foi influenciado por Koselleck, é bom não nos esquecermos que o tempo histórico em Koselleck é produzido justamente pela tensão criada entre passado e futuro. Hartog afirma que quando o futuro era o horizonte, ainda se sabia aonde ir, e era possível medir o caminho a ser percorrido. Quando esse horizonte desaparece, não se sabe muito bem o que fazer. Já não fica claro o que é necessário reter do passado e o que se pode deixar de lado. Diante disso a memória, que pode ser amparada em tudo, em todo momento, em todo evento, sempre que exista alguma testemunha. Sim, há uma era das testemunhas que é outra manifestação deste momento e se relaciona com a memória, o presentismo. Paul Ricouer disse que ao lado da memória temos a lealdade, e do lado da História temos a verdade, ou ao menos a busca da verdade. Paul Ricouer em “tempo e narrativa”(1983-85), pensa a reprodução a reencenação do tempo em particular do passado, como que a História transpõe isso para a narrativa, ele está preocupado em compreender como é que o tempo é representado pela narrativa histórica, para isso ele vai dividir este processo de representação do tempo ou do passado nos textos históricos em três momentos importantes , as mimeses 1, 2 e 3, estas seriam responsáveis pela ficcionalização do real, ou seja, do que aconteceu no passado , para algo que é da ordem narrativa, do texto. Na Mimeses 1, ele afirma que uma prefiguração do passado de algo que é concreto, na cabeça há uma construção mental daquele passado na mente dos historiadores e aí a compreensão é fundamental. Nas mimeses 2, ele chama de configuração que é quando este real do passado é transposto, ele é representado na narrativa por meio de uma criação textual, portanto o passado não é igual ao texto histórico, o livro de História não é um decalque do passado. E por fim na terceira Ricouer fala que a completude desta compreensão do passado, de sua representação se dá no ato da leitura, quando ele é reconfigurado pelos leitores.

O tempo histórico é um tempo fora do tempo. O que a gente escreve ou o que se lê um livro de História, este foi produzido numa determinada época , mas ele se refere à épocas do passado , então não necessariamente ele coincide com o tempo em que ele foi ou é escrito, às vezes esta distância é de séculos , mas esse projeta na temporalidade, ele se projeta no futuro, porque vai continuar sendo lido, por leitores lá adiante e quando estes leitores do futuro lerem esta obra, é como se existissem vários encontros pontuais da obra , com a obra, no tempo da obra , ou daquele autor que a produziu, mas também com aquele passado representado na obra , são tempos distintos , são tempos que não se confundem, portanto as obras de História , criariam este terceiro tempo. Ricouer chama a atenção para uma temporalidade inerente não só a História, mas a uma temporalidade das obras históricas, ou seja, ele diz que nós podemos temporalizar a historiografia, que a História tem uma História e que portanto precisamos historicizar estes trabalhos. Eles são frutos de uma época, fruto de inquietações do seu próprio tempo. A grande tese de Paul Ricouer em “Tempo e Narrativa” é que o tempo se torna humano na medida em que ele é articulado pela narrativa. Segundo Ricouer isto se concretiza nas narrativas históricas. Ele foi influenciado por Heidegger, assim como Koselleck, esta afirmação é um avanço em relação a Heidegger que diz ser o tempo compreendido a partir da consciência humana, mas isso se concretiza nas narrativas históricas, diz Ricouer. A História, a Narrativa (narrativa-histórica e História narrativa). No século XIX quando a história consolida como disciplina Acadêmica com pretensões de disciplina científica buscando aproximar-se do ser e do fazer das ciências naturais historiadores defenderam que a escrita da História deveria se basear em fontes documentais a serem analisadas rigorosamente, optaram por uma narrativa linear cronológica e objetiva e respeitasse a ordem dos fatos, as causas e consequências dos acontecimentos ao mesmo tempo dando visibilidade a grandes figuras políticas e militares. Por outro lado, para como Leopoldo Von Ranke e Jörn Rusen, a história era uma ciência que se aproximava da arte. (GUIMARÃES, 2009). Essa narrativa histórica positivista e metódica tinha uma visão progressista da História e entendia o tempo como uma sucessão de estágios evolutivos: dos mais simples aos mais complexos e civilizados. Historiadores do período esperavam estabelecer leis gerais universais para explicar o desenvolvimento das sociedades humanas. Pautavam-se em ideias racionalistas e iluministas. Sua narrativa histórica focava nos grandes personagens e acontecimentos, era, portanto, uma história-narrativa, historicizante, dos “èvènementielles”. Os historiadores do período seguiam o modelo de produção de historiográfica afim com a Escola Metódica produziam narrativas de cunho biográfico e político. No século XX, décadas de 1930 e 1960, com o advento da Escola de Annales, levanta-se forte crítica à Escola Metódica e a história-narrativa. À história-narrativa positivista, factual, biográfica, política, linear, o Movimento de Annales opõe história-problema. Às fontes documentais acrescentam muitas outras, ampliam-se os objetos da história, adiciona-se novas abordagens e métodos. A história-problema está interessada nas estruturas econômicas e sociais e culturais. Também as temporalidades, a partir Braudel, serão repensadas. Dando ensejo novas formas de pensar e analisar temporalidades históricas a partir dos conceitos de curta, média e longa duração. A articulação das escalas do tempo permitiu observar a história em diferentes recortes temporais analisar continuidades e rupturas no longo prazo, que muitas vezes, passariam despercebidas numa história linear ou no curto e médio prazo. Observa-se que o tempo passa em ritmos não uniformes ao longo da História. Referimo-nos as mudanças lentas e graduais que Braudel percebe no longo prazo ao estudar o Mediterrâneo. Aos Annales interessavam também mentalidades coletivas e os modos de vida dos seres humanos que receberam um olhar e um lugar na história-problema. Os historiadores de Annales aproximam a história de outras Ciências Sociais, ampliando o leque de possibilidades do pensar e do fazer a escrita da história. Para François Dosse “a ideia do movimento de Annales era fazer prevalecer um discurso histórico renovado pelas Ciências Sociais”(Dosse,2001, p.49 apud SAMPAIO,2019,p.1 ).O período 1930-1960, consolida a hegemonia do pensamento dos Annales sobre a questão da história-narrativa X a história-problema, a primeira “‘proscrita’ pela comunidade. Científica” (Gabriel e Monteiro, 2014, p. 28), a segunda, tornando-se naquele momento, a forma hegemônica de se constituir a escrita da História, em que: “o objeto da ciência não é mais o indivíduo, mas os grupos sociais, tampouco a sequência de acontecimentos, mas os fatos sociais globais, a narrativa – percebida basicamente como dois acontecimentos ou situações ordenadas de forma linear no tempo, sucedendo-se um após outro, e protagonizados por indivíduos promovidos a heróis – torna-se uma linguagem obsoleta e inadequada para dar visibilidade à ciência histórica.” (GABRIEL e MONTEIRO, 2014, p. 28- GABRIEL, 2012 ,p.191). Já nas décadas de 1960 e 1970 do século XX tal paradigma historiográfico, então consolidado e hegemônico, começa por sua vez ser contestado tanto em sua cientificidade quanto ao prometido por suas abordagens no que refere as questões estruturais bem no que tange a questão da descentralização do homem. Além do surgimento de novas correntes historiográficas a Escola de Annales também se reformulou com a entrada de novos historiadores franceses no grupo. Aqueles que formariam a terceira geração de Annales enfatizaram a História das Mentalidades e Representações. Segundo Dosse, esses historiadores passaram situar a ” escrita historiográfica ao lado da narratividade, do singular, da ideografia, do indício, do conjectural. Renunciam aos sonhos de uma história científica e nomotética para capturar melhor de uma história com o pé no chão” (Dosse, 201, p282 apud SAMPAIO, 2019, p.1).

A partir dos anos 60 do séc. XX, muitos autores concorreram para que se fizessem reflexões sobre a questão da epistemologia e da narrativa na História. A filosofia e a linguística tiveram sua parte neste desconforto dos historiadores ao levantar questões sobre o assunto. Entre os autores que concorreram para tal a partir de conceitos diversos estão linguistas como Wittgenstein e Saussure, estruturalistas como o antropólogo Levi-Strauss, filósofos pós-estruturalistas como Jean-François Lyotard , e Michel Foucault e  Roland Barthes, entre outros. Também Hayden White, em sua obra Meta-história analisou a escrita da história e “demonstrou que, ao lado da dimensão da pesquisa, da análise dos dados, há o elemento textual, o artefato literário que é a narrativa” (BENTIVOGLIO e MERLO, 2021, pp.148). Paul Ricouer, filósofo que vai refletir sobre as temporalidades e a narrativa histórica é citado por muitos autores apontando um caminho através de sua teoria narrativa (GABRIEL e MONTEIRO, 2007. GABRIEL, 2014, SAMPAIO, BENTIVOGLIO e MERLO, 2021). A questão da narrativa vem à tona, novamente a partir de 1979, Lawrence Stone em seu texto “O ressurgimento da narrativa: reflexões sobre uma nova velha história”, ele é criticado por Hartog porque embora tenha levantado a questão do retorno a narrativa-histórica, Stone não problematizou a narrativa por si mesma.

A crise da História e a pós-modernidade irrompe com mais força a partir das décadas de 1980-1990 do século passado. Diferentes autores vão estudar, refletir e teorizar sobre essa crise e a saída para ela. O certo é que há um consenso quanto a existência da crise e a da irrupção da pós-modernidade como algo incontornável, pois “Em consequência de toda a reflexão filosófica acumulada desde o estruturalismo, passando pelo pós-estruturalismo e chegando à pragmática linguística, os intelectuais começaram a perceber que as premissas que caracterizavam a modernidade já não existiam. A ciência não era mais capaz de produzir verdades, assim como o homem percebia que a história e sua dinâmica escapavam; portanto, não era mais possível narrar nem fazer a história. Tratava-se de um momento radicalmente diferente do moderno, por isso foi chamado pós-modernidade.” (BENTIVOGLIO e MERLO, 2021, pp.152).

Em seu ensaio “O Discurso da História”, publicado em 1967, Roland Barthes questiona a neutralidade e a objetividade da escrita histórica, arrazoando que ela é uma forma de discurso que se baseia em convenções narrativas ideologias e interesses.

A partir dos anos 60 do séc. XX, muitos autores concorreram para que se fizessem reflexões sobre a questão da epistemologia e da narrativa na História. A filosofia e a linguística tiveram sua parte neste desconforto dos historiadores ao levantar questões sobre o assunto. Também Hayden White, em sua obra Meta-história analisou a escrita da história e “demonstrou que, ao lado da dimensão da pesquisa, da análise dos dados, há o elemento textual, o artefato literário que é a narrativa” (BENTIVOGLIO e MERLO, 2021, pp.148). Paul Ricouer, filósofo que vai refletir sobre as temporalidades e a narrativa histórica é citado por muitos autores apontando um caminho através de sua teoria narrativa (GABRIEL e MONTEIRO, 2007. GABRIEL, 2014, SAMPAIO, BENTIVOGLIO e MERLO, 2021).

A questão da narrativa vem à tona, novamente a partir de 1979, Lawrence Stone em seu texto “O ressurgimento da narrativa: reflexões sobre uma nova velha história”, ele é criticado por Hartog porque embora tenha levantado a questão do retorno a narrativa-histórica, Stone não problematizou a narrativa por si mesma. A crise da História e a pós-modernidade irrompe com mais força a partir das décadas de 1980-1990 do século passado. Diferentes autores vão estudar, refletir e teorizar sobre essa crise e a saída para ela. O certo é que há um consenso quanto a existência da crise e a da irrupção da pós-modernidade como algo incontornável, pois “Em consequência de toda a reflexão filosófica acumulada desde o estruturalismo, passando pelo pós-estruturalismo e chegando à pragmática linguística, os intelectuais começaram a perceber que as premissas que caracterizavam a modernidade já não existiam. A ciência não era mais capaz de produzir verdades, assim como o homem percebia que a história e sua dinâmica escapavam; portanto, não era mais possível narrar nem fazer a história. Tratava-se de um momento radicalmente diferente do moderno, por isso foi chamado pós-modernidade.” (BENTIVOGLIO e MERLO, 2021, pp.152). Em seu ensaio “O Discurso da História”, publicado em 1967, Roland Barthes, teórico da linguagem da cultura no século XX, questiona a neutralidade e a objetividade da escrita histórica, arrazoando que ela é uma forma de discurso que se baseia em convenções narrativas ideologias e interesses. Para este autor, a história não é de fato de história – de acontecimentos realmente ocorridos, de um fenômeno histórico verdadeiramente explicado, de arquivos inéditos examinados, de, efetivamente novos conhecimentos – mas não obstante ou além do mais, o livro pode ser lido: a montagem, o enredo, a escrita fazem com que você, leitor possa mergulhar nele como numa obra de ficção, entregar-se ao prazer da leitura, instruir-se e divertir-se ao mesmo tempo. Como um romance quer efetivamente dizer as aparências de um romance, mas não um romance, menos ainda um romance histórico pois este põe a serviço da ficção o detalhe que faz soar verdadeiro. Pelo como indica-se que o leitor sai supostamente ganhando dos dois tabuleiros.” (HARTOG, 1998, P. 193). Hartog analisa as diversas correntes historiográficas e suas relações com a questão da narrativa. Passando pela história-narrativa dos positivistas, remetendo ao que ele chama de sarcasmos ditos por Lucien Fevbre nos anos 30 a propósito dessa mesma “história-narrativa”, “historicizante,” pautada no modelo das ciências naturais em oposição a arte. (HARTOG, 1998, P. 194). Retornando a Lawrence Stone, embora este não tenha colocado a narrativa por si mesma em questão, no entanto, seu texto provocou a reflexão de outros autores. entre os quais além dos já citados no texto, o mais encontrado e comentado nos escritos escolhidos para esta pesquisa bibliográfica seja o de Paul Ricouer, filósofo que tratou do assunto de forma profunda. Se, para Ricouer, o tópico principal é a questão do tempo, ele igualmente entende que o tempo não pode ser pensado ou existir fora da narrativa. Para François Hartog” em lugar de se falar em abandono, seria preferível com Ricouer, “eclipse” da narrativa (não a vemos, mas ela está sempre presente e será de outro modo visível: o “retorno”? – e suas facilidades de pronto-para-pensar).” (HARTOG, 1998, P. 196). Para Carmen Teresa Gabriel, à hermenêutica da Paul Ricouer, deve-se muito da mudança ocorrida no entendimento da noção de narrativa. por “colocar em evidência e articulação entre a narrativa e a temporalidade”, a narrativa entendida como “guardiã do tempo, na medida em que só haveria tempo pensado quando narrado” (RICOUER, 1997, p.417 apud GABRIEL, 2014, p.192). Continuando sua análise, Gabriel remete ao papel central desempenhado pelo tempo histórico na hermenêutica Ricoueriana, pois para o filósofo: “O tempo torna-se tempo humano na medida em que ele é articulado na forma narrativa; em contrapartida, a narrativa é significativa na medida em que delineia os traços da experiência temporal.” (RICOUER, 1997, p.417 apud GABRIEL, 2014, p.192).

Segundo o entendimento de Bentivoglio e Merlo a respeito de Ricouer, em sua trilogia – uma obra monumental – que “debate exatamente sobre como a temporalidade afeta a narrativa histórica, o que fica evidente […] é que a temporalidade influencia os modos de narrar e essa dimensão temporal da narrativa não pode ser ignorada.” (BENTIVOGLIO e MERLO, 2021, p.150).Desta forma, concluem Bentivoglio e Merlo, “as análises historiográficas devem considerar as especificidades narrativas e temporais com as quais se defrontam” (BENTIVOGLIO e MERLO, 2021, p.150). Carmen T. Gabriel, remete-se à conclusão que Ricouer de que, se por um lado, a História não pode ser considerada um gênero literário, por outro, a História também não pode se afastar da narrativa sem romper com seu caráter histórico (GABRIEL, 2014, p.192). Para Gabriel:

Ao significar narrativa histórica no quadro de sua hermenêutica, associada à temporalidade, Paul Ricoeur oferece subsídios teóricos para enfrentar esse dilema, na medida em que incorpora elementos que permitem pensá-la como um discurso híbrido que opera simultaneamente com elementos tanto da história-ciência como da história-relato resultante do que esse autor nomeia de refiguração cruzada do tempo.” (GABRIEL, 2014, p.193-194).

Segundo autora, Paul Ricoeur chama a atenção para a especificidade da narrativa histórica evidenciando os procedimentos específicos da operação historiográfica. Ricouer mantém a argumentação e o diálogo com e contra os representantes das diversas correntes ‘cientificistas’ e ‘narrativistas’, em busca de articular suas contribuições. Sendo assim, para Gabriel: “A aproximação com as teorias narrativistas permite a esse autor reconhecer uma forma de explicação interna ao próprio ato de narrar: narrar já é explicar, através da conexão lógica do tecer da intriga (um por causa do outro).” Não se deve confundir relação causal e sequência cronológica permite distinguir a História da Crônica. No entendimento de Gabriel:

Ricoeur sublinha ainda que a explicação histórica mantém laços com a narrativa de ficção, na medida em que faz igualmente uso da imaginação, operando, dessa forma, comum registro de objetividade marcado pela incompletude, compensada pela mediação da subjetividade: “a intencionalidade histórica só se efetua incorporando à sua intenção os recursos de ficcionalização que dependem do imaginário narrativo.” (GABRIEL, 2014, p.193-94).

Ainda sobre o pensamento ricoueriano a respeito da narrativa no entendimento de Sampaio, para o filósofo:

a narrativa tomada como composição da intriga é capaz de promover a síntese do heterogêneo, produzindo o agenciamento dos eventos, não de forma aleatória, mas resultante de um encadeamento lógico entre eles. Em outras palavras, a narrativa faz surgir à concordância de elementos discordantes e com isso, atribui uma lógica, não meramente cronológica, à temporalidade.” SAMPAIO, 2019).

Autores que trabalham com a questão a narrativa e História e se aproximam do pensamento Ricoueriano entendem que a diferença entre a narrativa gênero literário e a narrativa histórica está, entre outras coisas, na intencionalidade do historiador, em seu compromisso com a investigação histórica, e em se utilizar da narrativa como intriga no sentido dado por Ricouer à palavra. Para Sampaio:

diferentemente da narrativa tradicional – aos moldes da escola positivista – a intriga é uma organização seletiva dos fatos, ou seja, uma construção do historiador e não apenas ordenamento cronológico dos fatos sendo estes considerados como cópia do real. Na composição da intriga, o historiador elabora uma síntese de elementos dispersos e para isso, agrega, reúne, seleciona os dados de modo que se produza um novo sentindo, um novo saber, algo não dito. A narrativa é, pois, o meio privilegiado para a configuração da experiência vivida pretérita, que nos chega somente a partir de elementos dispersos. Quando os acontecimentos são inseridos no enredo da narrativa, a ação dos homens torna-se mais inteligível. É através da operação narrativa que é inserido um sentido ao agir do homem no tempo.” SAMPAIO, 2019).

Considerações finais

O tempo continua um mistério ciência e de todos os que com ele lidam, o desafio persiste. Trabalho pontuamos as diversas temporalidade presente no campo da história. Vimos as diversas modalidades em suas interpretações; novos a cada época, que ali tem vislumbres disparos do objeto tempo. Encontramos abordagens que traduzem novas formas de temporalidade, música enriqueceram com relação à disciplina de História e que trouxeram novas ideias para outras pesquisas futuras. Como observado ao longo do texto a narrativa histórica passou por diferentes estágios de produção e aceitação- negação. Foi recebendo modelagens, fórmulas, críticas, novos aportes, sendo rechaçada e recuperada em novos formatos ao longo do tempo desde que a história se tornou uma disciplina acadêmica no séc. XIX. A forma como foi pensada e realizada a narrativa-histórica modificou-se, os elementos que a compõem, abordagens, métodos, fontes também foram sendo modificados, repensados, excluídos e incluídos, porém embora tenha sido relegada e “proscrita” durante alguns períodos, ela ainda é muito importante para a escrita da História, e reapareceu com força a partir dos anos

1980, como assunto no debate historiográfico, quando se tem a Crise da História e o pós-modernismo, a virada linguística. Os debates sobre a narrativa e a história se farão mais presentes, especialmente no séc. XXI. dentre os autores citados no texto, quer-se chamar atenção para Hartog, quando remete a importância do como (como a história é narrada para ser entendida, lida com prazer sem perder suas características de ciência humana compromissada com a “verdade”) e para o filósofo Paul Ricouer visto que a narrativa-histórica no sentido dado

por ele, o do tecer da intriga, serve de base para uma boa narrativa-histórica, não mais feita de fatos e personagens dispostos cronologicamente, mas de um todo pautado em investigação histórica, que abrange muito mais do que a linearidade temporal e questões político-militares e biografias, mas narrativa-histórica tecida com a intriga, nos termos da lógica causal, das intencionalidades dos historiadores, como uma síntese do heterogêneo, agrega elementos dispersos e os seleciona para produzir sentido, A narrativa se faz como concordância entre elementos discordantes, produzindo sentido.

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1 – Ana Cristina Zecchinelli Alves: Mestranda do Programa de Mestrado profissional em Ensino de História -ProfHistória da Universidade Federal do Rio de Janeiro -UNIRIO, professora dos anos finais da educação básica da rede pública de ensino da Prefeitura de Magé.

2 – Carlos Maurício Rodrigues dos Santos: Mestrando do Programa de Mestrado profissional em Ensino de História -ProfHistória da Universidade Federal do Rio de Janeiro -UNIRIO- Professor da rede municipal de Duque de Caxias , da rede Estadual do Rio de Janeiro.

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