Mercado de Trabalho – abismo social – a carne mais barata do mercado é a carne negra

Alessandra Franco*

O cenário atual do mercado de trabalho evidencia um verdadeiro abismo social. Com a pandemia pelo coronavírus, 41 milhões ficaram sem emprego no Brasil, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid-19), divulgados pelo IBGE. O coronavírus revela a cara do desemprego, atinge em sua maioria a pobres, negros e mulheres que vivem em condições de vulnerabilidade social.

A pandemia visibilizou que o cuidado e o trabalho de produção da vida são o trabalho essencial da sociedade, como enfermagem, limpeza em sua maioria ocupados por mulheres. Um conjunto, de desigualdades, exclusão social, racismo estrutural retrata o mercado de trabalho brasileiro.

Nesse sentido, a exclusão social é produto do mundo contemporâneo e a pandemia amplia essa exclusão quando falamos de educação e oportunidades entre negros e brancos.

A ocupação dos postos de serviços menos prestigiados, a não qualificação em decorrência da falta de oportunidade a educação, são resultados da população negra brasileira, ainda excluída, diante dos números apresentados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Hoje ainda timidamente no Brasil é abordado no mercado de trabalho às práticas de apoio à inclusão e diversidade. O abismo social fica escancarado com os indicadores. Segundo uma pesquisa do Instituto Ethos com as 500 maiores empresas do Brasil, as pessoas negras ocupam apenas 6,3% dos cargos de gerência e 4,7% dos cargos executivos. A situação das mulheres negras é ainda mais desfavorável, pois elas ocupam apenas 1,6% dos cargos de gerência.

A pauta pela igualdade pulsa nas ruas, nos guetos, nas comunidades, é um grande desafio, vivemos em um país racista, que negou e nega tal condição e não inclui mulheres e homens negros nos espaços de poder do mercado de trabalho, acarretando ausência de representatividade, fazendo com que esses ambientes não sejam plurais e diversos.

Caminhado para o cenário do setor público, o desafio da igualdade na gestão pública, perpassa pela inclusão da igualdade na agenda política, diretrizes voltadas para construção da cidadania. A intersetorialidade e transversalidade, superando a verticalidade e especialização, criando a rede de trabalho para atendimento das especificidades na implementação da política pública.

Concluo com a exposição dos autores Carneiro e Costa, “a prioridade de redução da exclusão e da desigualdade deve ser uma preocupação constante das políticas econômicas, da mesma forma que a estabilidade e o crescimento econômico. Trata-se, em suma, de inverter a posição subalterna das políticas sociais em relação às políticas econômicas, e inserir o desenvolvimento social como objetivo máximo, ao qual o desenvolvimento econômico deve estar vinculado. Sem essa articulação, não é possível desenvolver ações com resultados efetivos e sustentáveis no combate à exclusão social.”


Referência Bibliográfica:
CARNEIRO, Carla Bronzo Ladeira; COSTA, Bruno Lazarotti Diniz. Exclusão Social e Políticas Públicas: Algumas reflexões a partir das experiências descritas no Programa Gestão Pública e Cidadania. Cadernos Gestão Pública e Cidadania, v.28, p. 5-22, 2003.

* Alessandra Franco – Advogada, Pedagoga, Especialista em Direto e Processo do Trabalho, Gestora Púbica, Secretaria de Planejamento e Finanças da Câmara Municipal de Santos, Mestranda de Políticas Públicas Universidade Federal do ABC

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