Catharina Crestani Seger: um lugar ocupado na história

Marieli Lawisch 1
Carina Merkle Lingnau 2

Resumo


Este texto contempla a inserção da mulher no espaço político através de dados biográficos de Catharina Crestani Seger, que tornou-se líder na sociedade do interior brasileiro da década de 70. Como metodologia utilizamos a pesquisa bibliográfica e documental. Observamos que a ocupação de espaços políticos é fundamental para referenciarmos mulheres em funções majoritariamente masculinas.


Palavras-chave: política, prefeita, vereadora, Brasil.

Catharina Crestani Seger: a place in history

Abstract


This text contemplates the insertion of women in the political space through biographical data of Catharina Crestani Seger, who became a leader in society in the Brazilian countryside in the 70s. As a methodology, we used bibliographical and documental research. We observed that the occupation of political spaces is fundamental for us to reference women in functions that are mostly male.


Keywords: politics, mayor, councilwoman, Brazil.

Tanto as meninas quanto os meninos são socializados culturalmente a viverem e desempenharem papéis diferentes socialmente; sendo nessa direção que se torna importante o olhar crítico para o gênero como mecanismo de poder, uma vez que é imposto o que é correto ou errado na vida do homem e da mulher. Então, precisamos buscar formas de desconstrução e desnaturalização dessa cultura que trata menina/mulher e menino/homem de maneiras diferentes, pois, é por meio da socialização das distintas maneiras de tratamentos que muitas mulheres são direcionadas e permanecem na vida e imersas em uma cultura marcada por desigualdade e submissão.

A mulher verá crescer sua identidade em discursos que ela não formulou, caminhará
com a palavra emprestada, como uma estrangeira; definindo-se em uma linguagem
feita por outros, vivendo em um espaço desenhado por outros, em uma trama de razões
que outros pensaram. (COLLING, 2014, p.15).

Catharina Adelia Crestani Seger, nasceu em 23 de novembro de 1922, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Catharina era filha de Albino Crestani e Augusta Breda Crestani, pertencente a uma família de sete irmãos, sendo eles: Adelino João, Catharina, Laurindo, Gentil, Égide, Claudino e Jenyr. De acordo com Seger (2013), Albino foi por muitos anos operário/serrador na Serraria dos Guerra, e Augusta com auxílio dos filhos trabalhava na roça e criava animais para ajudar no sustento da família. De acordo com a descrição (SEGER, 2013, p.35) Catharina era “[…] de estatura acima da mediana, era bonita e charmosa”.
Depois de casar-se e ter filhos mudou-se para a cidade do interior catarinense chamada Palma Sola, onde exerceu desde funções escolares até ocupar papeis na política local. De acordo com a historiadora Rago (1995) a história construída é singular a cada sujeito, entretanto, existem movimentos historicamente construídos que buscam objetivos comuns, à exemplo temos os movimentos sociais.

Fonte: https://palmasola.atende.net/cidadao/pagina/visionaria-catharina-crestani-seger

A narrativa da cidadã Catharina conflui com a prática discursiva de outras mulheres no que tange à luta para romper os quase que inexistentes enunciados femininos em relação a exercer papéis no contexto político e social. Foucault (1991, 2004, 2008) discute o sujeito produzido na multiplicidade e em constante mudança sob efeitos de poder, este que está em todas as partes por meio da multiplicidade das relações de força, dissolvendo-se no sujeito social e subsequentemente eclodindo discursos, práticas, enunciados, dentre outros. Esse movimento de discussão foucaultiana dialoga com a trajetória de vida de Catharina que apresenta uma experiência de si e do mundo – com certa ousadia e coragem – pois, a mesma aponta relações de poder estabelecidos em distintas áreas de atuação (família, lar, política, dentre outras) considerando o tempo histórico.

Fonte: https://palmasola.atende.net/cidadao/pagina/visionaria-catharina-crestani-seger

Em relação a atuação da mulher corroboramos com Rago (1995) ao afirmar que se viveu uma feminização da cultura, pois, a entrada das mulheres em muitos espaços e profissões, anteriormente destinadas aos homens, afeta-os e transforma-os profundamente. Deste modo, destacamos que Catharina ocupou a cadeira executiva precisamente no dia 1º de fevereiro de 1977, e a partir dessa data “a administração do comércio, coordenado por ela, passou definitivamente para as mãos dos filhos. Seu Ernesto continuou a trabalhar até se aposentar” (SEGER, 2013, p. 40). Assim, Catharina exerceu o cargo até o dia 27 de junho de 1979, quando falece, aos 57 anos, vítima de um acidente automobilístico, próximo ao município de Curitibanos, BR-470, quando retornava da capital catarinense.

Fonte: https://palmasola.atende.net/cidadao/pagina/visionaria-catharina-crestani-seger

A representatividade política é um espaço ainda ocupado hegemonicamente pelos homens, espaço político no qual muito pouco se visualiza a representação feminina, tal fato, dá-se pela exiguidade de ocupações da representatividade feminina. Assim, exercer funções de tomada de decisões públicas, marca uma importante referência para a população feminina ou que se identifica como tal.


Referências bibliográficas


COLLING, Ana Maria. Tempos diferentes, discursos iguais: a construção do corpo feminino na história
/ Ana Maria Colling – Dourados, MS: Ed. UFGD, 2014.


DEBONA, Narcélio Inácio. O caboclo de Palma Sola e arredores: depoimentos sobre as décadas de
1930 – 1960. 2010. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba,
2010.


FOUCAULT. Michel. Vigiar e punir: história das violências nas prisões. 9 ed. Petrópolis: Vozes, 1991.


FOUCAULT, Michel. Ética, sexualidade, política. Organização e seleção de textos Manoel Barros da
Motta. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004. (Ditos & Escritos, V).


FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Tradução: Luiz Felipe Baeta Neves. 7 ed. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2008.


RAGO, Margareth. O efeito-Foucault na historiografia brasileira. Tempo Social: Revista de Sociologia.
USP, São Paulo, 1995.


SEGER, Irmã Maria Julita. Histórias e memórias das famílias Seger e Crestani. 2013. Disponível em:
https://palmasola.atende.net/atende.php?rot=1&aca=119&ajax=t&processo=viewFile&ajaxPrevent=162
7482513779&file=028153E63A2E85FDB01BBDE3C0B58BFB1D5B33CF&sistema=WPO&classe=U
ploadMidia. Acesso em: fev. 2023.

1 – Cursando mestrado pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE. Possui graduação em Pedagogia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC (2014), segunda licenciatura – Ênfase em Educação Especial pelo Instituto Superior de Educação Ibituruna (2018), graduação em Licenciatura em Informática pela Universidade do Oeste de Santa Catarina – UNOESC (2015), especialização em Educação Infantil pela Faculdade UNINA (2020), tecnóloga em Secretariado pela Faculdade de Tecnologia Internacional – FATEC (2008). Atualmente é professora efetiva na educação infantil pela Secretaria Municipal de Palma Sola – Santa Catarina.
E-mail para contato: marielilawisch@gmail.com

2 – Graduada em Licenciatura em Língua Portuguesa e Inglesa pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000), mestra em Educação pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2014) e doutora em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (2017). Atualmente é professora na graduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Francisco Beltrão e também é professora colaboradora no curso de pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Francisco Beltrão. Tem como temas de interesse: mulheres & desenvolvimento, sociedade e linguagem, línguas & etnias e língua portuguesa como ferramenta de internacionalização.
E-mail para contato: carinadebeltrao@gmail.com

Deixe um comentário